sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

"Aquilo que ontem cantava já não canta. Morreu de uma
flor na boca: não do espinho na garganta. Ele amava a
água sem sede, e, em verdade, tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade. Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada. E o dia toca em silêncio a desventura causada.
Se acaso isso é desventura: ir-se a vida sobre uma rosa
tão bela, por uma tênue ferida."

(Cecília Meireles)

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